MACAPAPREV À BEIRA DO COLAPSO: ROMBO DE R$ 221 MILHÕES AMEAÇA FUTURO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE MACAPÁ

O Instituto de Previdência do Município de Macapá (Macapaprev) atravessa a mais grave crise de sua história. Um relatório recente do Ministério da Previdência Social, encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AP), revelou que, em julho de 2025, o órgão possuía apenas R$ 39,4 milhões em caixa, valor alarmante diante dos R$ 176,8 milhões registrados dois anos antes. O encolhimento das reservas coloca em risco o pagamento de aposentadorias, pensões e auxílios-doença de mais de 11 mil servidores públicos municipais da capital , Macapá.
É estimado que o rombo total nas contas do instituto já chega a R$ 221 milhões, considerando o período entre julho de 2023 e julho de 2025.
O colapso financeiro foi formalizado em um ofício encaminhado ao TCE no dia 7 de outubro pelo coordenador de fiscalização do Ministério da Previdência Social, Charles Souza de Lima. O documento descreve um declínio constante dos recursos do fundo desde o início da atual gestão municipal.
Em 2020, quando o ex-prefeito Clécio Luís deixou o comando da prefeitura, a Macapaprev possuía R$ 126,1 milhões, resultado de contribuições regulares e de uma política de estabilidade financeira. Sob a administração do atual prefeito Antônio Furlan (MDB), o montante chegou a R$ 176 milhões em 2023, mas o cenário mudou drasticamente a partir de 2024, quando o saldo despencou para R$ 105 milhões. Um ano depois, o fundo atingiu o seu pior nível histórico.
De acordo com o Ministério, uma das principais causas da crise é a redução de R$ 84 milhões nas contribuições patronais , repasses obrigatórios que a Prefeitura de Macapá deve realizar ao instituto, na condição de empregadora.
Além disso, dados do Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência (CADPrev) mostram que, entre 2023 e 2024, foram realizadas retiradas mensais médias de R$ 4 milhões, chegando, em alguns meses, a valores entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões.
Essas movimentações, somadas à queda dos rendimentos financeiros do fundo, abalaram o equilíbrio atuarial da previdência municipal e lançaram dúvidas sobre a continuidade dos pagamentos aos aposentados nos próximos anos.
A crise da Macapaprev não pegou o TCE de surpresa. O Tribunal e o Ministério Público de Contas (MPC) já vinham monitorando a situação desde 2024. Naquele ano, o MPC solicitou o afastamento do então presidente da autarquia, Leivo Rodrigues, que teria se recusado a prestar contas e a responder questionamentos do órgão em mais de 30 processos.
Na ocasião, a procuradora responsável classificou a postura de Rodrigues como um “desprezo expressivo às solicitações do tribunal”, comprometendo a análise de atos administrativos. O relator do caso, conselheiro Paulo Martins, chegou a dar prazo de cinco dias para esclarecimentos. Antes do fim desse período, o prefeito Antônio Furlan decidiu retirar Rodrigues do cargo e realocá-lo em outra função dentro do próprio instituto.
PREFEITURA DE MACAPÁ SILENCIA SOBRE O CASO
A equipe do Conexão procurou a secretária municipal de Comunicação, Janice Rezende, para comentar a grave situação financeira do Macapaprev. Até o fechamento desta matéria, nenhum posicionamento oficial havia sido enviado pela Prefeitura de Macapá.




